12 de dezembro de 2016

Opinião Contemporânea: "Não Digas Nada à Mamã" de Toni Maguire



Esta obra terminada no dia do nosso aniversário retrata uma história mais triste que feliz. Pela sinopse percebemos logo o teor dela e é contada pela autora. Não está escrita como uma típica autobiografia, porque a personagem principal tem outro alter-ego: a Toni criança e a Toni adulta. A Toni adulta é a do presente e que conta a história dentro da sua cabeça sob a forma de memórias em que se transporta para o passado e deixa a Toni criança tomar as rédeas. Isto é no inicio porque mais para o final, no discurso da mais nova a autora acaba por interferir e colocar frases como "mais tarde haveria de saber que não seria assim", por exemplo (não como citação porque não apontei e portanto não sei de cor). Portanto não achei que a história estivesse muito fiel ao discurso de uma criança, excepto expressões como "papá bom" e "papá mau", mas estas são raras.
Acho é que a autora tentou contar a história de maneira diferente, mas para mim não resultou.
Quero desde já apontar que não quero ser insensível perante o que Toni sofreu, porque este tema é muito sensível para mim e foi por isso que comprei o livro, mas aqui nesta opinião eu quero analisar a obra literária e não a história e os factos verídicos ou não.
Voltando então à história contada por uma criança de 3 anos: uma das questões que logo coloquei foi como é que uma criança com esta idade se lembra e/ou repara em detalhes tão pormenorizados de casas, ruas, situações?
Também me questionei, aqui já analisando um pouco os factos confesso, como é que uma criança tão pequena, ao ser violada, não chora? O órgão sexual masculino, estando o homem excitado, teria que ser muito diminuto para o órgão sexual da criança não ser minimamente traumatizado e que não causasse dor. Ora qualquer criança feliz e normal quando sente dor chora e queixa-se minimamente, o que não acontece aqui. E mesmo que não chorasse, em todas as situação a personagem nunca referiu ter ficado dorida e ter sentido desconforto por exemplo a sentar-se. Aliás, muitas vezes ela ia andar de bicicleta logo a seguir (isto já na fase pré-adolescente).
Nunca experenciei, nem quero claro, nada do género, mas anatomicamente e por outras histórias, estes factos aqui colocados, supostamente autobiográficos, não estão muito de acordo. Não tira a credibilidade, mas também não torna tudo tão real.
Penso que quem conta uma história destas é porque quer contar uma história, a história da sua vida e pelo que passou, mas todas as que li do género houve descrições muito mais pormenorizadas, mesmo para chocar o leitor e para tornar tudo mais real, não romanciado ou até omitido.
Outras questões que suscitaram mais emoções da minha parte foi a personagem da mãe e a reverência da filha mesmo até ao final. Não dá para perceber, mas as mentalidades nesta altura são de facto muito diferentes do dia de hoje e por isso prefiro ignorar, porque toda esta família de facto me parece disfuncional. Apesar de tudo acho que esta vertente da história, o papel da mãe e a adoração da filha por esta mesmo com as atitudes desta, deram outro lado e desviou um pouco a história da violação.
Em relação ao texto, as descrições das reuniões de família, as descrições das mudanças de casa e de escola foram demasiado desenvolvidas, o que tornou muitas vezes aquele capítulo mais tedioso.
Este, de facto, não é o típico livro que eu adore e que compre em grandes quantidades, mas acabei por não me arrepender de o ter feito e de o ter lido. É bom fantasiar e transportarmo-nos para finais felizes, mas estes excertos de vidas tão tristes também devem estar presentes na nossa biblioteca, porque mais vezes do que queremos devemos ter exemplos de realidades e relembrar que há sempre alguém pior que nós. E eu, que trabalho no I.P.O., tenho esse lembrete todos os dias, mas mesmo assim ando numa fase que quero mais, em que quero ser solidária com estas pessoas e estas histórias, porque sejam bem ou mal contadas merecem ser lidas e/ou ouvidas.

Toni tinha apenas seis anos quando o seu mundo ruiu.Quando o pai teve a sua primeira atitude obscena, a pequena Toni arranjou coragem para contar à mãe o que tinha acontecido, certa de que esta traria a normalidade de volta à sua vida. Mas a mãe fez o impensável: disse-lhe para nunca mais falar nesse assuntoNão Digas Nada à Mamã é o relato verídico e tocante da pior das traições; uma história de coragem que inspirou centenas de milhares de leitores em todo o mundo.

1 comentário:

  1. Recebi este livro num aniversário, há muitos anos. Talvez tinha sido da altura em que o li (talvez tivesse 15 ou 16 anos), mas lembro-me que me marcou muito e que foi dificil ler sem sentir uma tristeza profunda perante tais acontecimentos. É uma história bastante dificl de ler. Ainda assim, agora à distância, concordo que pode parecer um pouco fantasioso em alguns excertos e um pouco desfasado da realidade. Os factos que apontas como não sendo muito credíveis dão essa mesma sensação.

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