8 de maio de 2013

Opinião Young-Adult: "Alera - A Princesa Herdeira" de Cayla Kluver


O livro de Cayla Kluver tinha tudo exteriormente para ser um bom livro.
A capa é bastante chamativa e a sinopse complementou-a, mas ao ler a idade com que ela escreveu já devia ter adivinhado. Não digo que a idade tem alguma coisa a ver, mas pela minha experiência como leitora a percentagem de livros ainda muitos verdes, com muito por explorar ou com muito para cortar correspondem a escritores mais jovens.
Neste caso, o facto de ser literatura traduzida até devia ter contribuído para o melhoramento, mas ainda encontrei alguns pontos e características que não o tiveram.
Apesar de relevante, o texto em azul deu um toque diferente ao livro. Confesso que passados alguns capítulos ou consoante a luz essa cor vai-se desvanecendo e até já nos parece preta, mas mesmo assim acho importante apontá-lo como ponto positivo, ou no minimo neutro.
Achei que a escritora se perde muito em pormenores, descrevendo cansativamente do inicio ao fim, cada personagem, desde as principais às secundárias ou até figurantes, desde o número, às cores, etc; cada cenário, principalmente quartos; a maior parte destes não tendo qualquer relevância ou importância tanto para a cena como até para o livro. Tudo isto acabou por tornar o livro cansativo e desinteressante.
Achei também os diálogos e as acções um pouco infantis, e muitas vezes até errados. Como por exemplo, quando Alera entrega London ao pai acusando-o de traição, mas depois anda a chorar pelos cantos e cheia de pensamentos melodramáticos como se ele é que a tivesse abandonado. Acho que muitas vezes a escritora transmite ideias erradas ao tentar transparecer demasiadas emoções, que além de exageradas provocam esta confusão de sentimentos e relações. Para além de denegrirem a imagem/personalidade da personagem principal, que, pelo que percebi, devia criar tanto empatia com o leitor como ser a heroína, acabando por ser, a meu ver, infantil e mimada.
Outras ideias confusas que a escritora transmite, para além de factos contraditórios, apresentam-se nos em casos como: no inicio o reino está em paz, mas a personagem sublinha e refere-se inúmeras vezes ao número elevado de guardas.
A pontuação e a falta de algumas letras também não contribuíram para melhorar a minha opinião.
De uma maneira geral este livro tem um pouco de ficção e de romance histórico, em que Cayla Kluver só apresenta de fictício (se não mudou apenas os nomes aos locais) o reino em que Alera vive. Tanto as tradições, como os costumes, os cenários, o vestuário, tudo é bastante real e descrito em livros de histórias, por isso a originalidade não está definitivamente presente. Além disso, e aqui estou incerta quanto à responsabilidade ser da escritora ou da tradutora, o facto das personagens sem nenhuma excepção se tratarem por "tu". Isto é sobremaneira estranho visto que a história se passa num reino, com reis, comandantes, etc, ou seja com uma hierarquia tão marcada deveria haver outro tipo de linguagem e respeito.
Concluindo, Alera - A Princesa Herdeira foi sem dúvida uma desilusão e ainda me espanta o facto de haver continuação.

Uma violenta rivalidade entre dois reinos ameaça evoluir para um estado de guerra. No meio deste conflito, uma princesa voluntariosa encontra-se dividida entre o dever e o desejo.
Obrigada a casar com o homem que o pai escolheu para lhe suceder no trono, a jovem princesa Alera de Hytanica vê-se forçada a enveredar pelo pior dos destinos, o casamento com o arrogante e colérico Steldor. Quando o misterioso e sedutor Narian chega a Hytanica, vindo do território inimigo trazendo segredos e noções inconcebíveis acerca do papel das mulheres na sociedade, os desejos de Alera põem em causa o futuro do reino.
A descoberta do terrível passado de Narian mergulha Alera num mundo obscuro de intrigas palacianas e conflitos pretéritos, a ponto de não saber em que acreditar, nem em quem confiar.
Alera - A Princesa Herdeira, primeiro volume de uma trilogia, é o primeiro romance de Cayla Kluver e foi escrito aos 16 anos.
Marcado por diálogos cortantes e por uma complexidade dramática que espanta numa autora tão jovem, esta obra, que se lê de um fôlego, repensa as velhas questões do dever e do património familiar, apresentando-nos uma jovem heroína em busca da sua voz pessoal.

Legacy (Legacy, #1)


Título Original - Legacy
Edição - Abril 2011
ISBN - 9789896571870




3 comentários:

  1. Exacto. Isso da toda a gente se tratar por tu foi o facto que ficou na minha mente sobre este livro. Que coisa mais estranha! Mas será que não há revisores que aconselhem os autores a fazer desta ou daquela maneira? Não percebi realmente como é que este livro foi para a frente precisando de limar tantas arestas...
    Beijinho

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  2. A verdade é que não existe uma linha clara, em inglês, em que possa ser distinguido quando o tratamento é por tu ou você. Na maioria das vezes os tradutores usam o bom senso, pelo menos é assim que interpreto. Claro que num livro com reis e reinos deviam ter mais cuidado, mas também depende se o original era ou não muito formal. Uma boa parte de séries de televisão feitas hoje em dia usam linguagem dos nossos dias ainda que sejam adaptadas de livros escritos noutras épocas.

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  3. Concordo com a classificação gostei bastante da capa mas quando o li...... nao achei assim tão bom, estava a espera de melhor

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