10 de maio de 2013

Opinião Contemporânea: "De Uma Só Sorte" de Tiago Gonçalves


Apesar do tipo de escrita de Tiago Gonçalves não ser o meu preferido, confesso que me surpreendeu positivamente.
O livro é curto e a capa simplista, e é através de capítulos proporcionais e concordantes com estes adjectivos que vamos conhecendo a história linear da camponesa Manuela.
Achei a organização interna do livro bastante leve e agradável, que juntamente com a curta história me fez ler e folhear as páginas sem me dar conta disso mesmo. Os temas abordados são variados, mas a agricultura e o labor tiveram algum destaque, este facto talvez tenha sido o mais cativante por ser tão incomum.
Relativamente à escrita, tal como disse no inicio, não faz o meu género pois esta não inclui nem diálogos nem descrições dos cenários onde tudo se desenrola (excepto um caso pontual, quando Tiago Gonçalves descreve a casa de Manuela). Considerando estes dois aspectos, que na minha opinião são os que mais contribuem para a dinâmica e desenvolvimento de um conto, a obra em questão fica um pouco sub-aproveitada e sub-desenvolvida.
Ao longo das 64 páginas, o autor vai trocando a sequência temporal, principalmente na segunda parte, mas, apesar disso, nunca perdemos o rasto às personagens.
Achei o final um pouco inconclusivo (apesar da morte da personagem principal) pois as causas de morte do primogénito e de Manuela, o destino do marido desta, etc. são deixadas em aberto.
Resumindo, o livro De Uma Só Sorte centra-se principalmente em capítulos da vida de uma personagem central, desde a sua rigida infância ao seu casamento violento e à sua morte solitária, mas todos estes espaços temporais partilhados com o leitor são feitos em pequenos resumos e cheios de lacunas. De qualquer forma, a leitura é feita de forma fluída e entendida.

Presa num mundo sem profundidade, a visão de Manuela não alcançava para além do seu campo, isolada do seu pensamento e ambição, a sua vida poderia resumir-se a um eterno movimento circular, constantemente voltando ao ponto de partida, quando parecia estar prestes a escalar as paredes que restringiam a sua vida. Sem ambição que gerasse qualquer opção, a vida era simples e resumida, não fossem os acontecimentos do seu mundo serem bem maiores do que o espaço ao qual se restringia,. Espaço e mundo no qual ninguém queria entrar.
Esta obra abre, para sim, as portas deste mundo.

Edição - Novembro 2010
ISBN - ?


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