6 de março de 2013

Opinião Histórica: "O Monte dos Vendavais" de Emily Brontë



Emily Brontë conta-nos uma história, que tem lugar há muitos anos atrás, através de várias personagens, numa teia de narradores, diálogos e descrições.
Quem lê a sinopse não tem noção da complexidade do enredo, das personalidades, dos cenários... Foi tudo bem construído, obrigando-nos a seguir cuidadosamente todo o texto, todos os passos, até mesmo voltar atrás e reler para que, para além de não perdermos na história, não nos falhe qualquer pormenor.

O primeiro narrador é Mr. Lockwood que posteriormente passa a ouvinte de Nelly. Achei esta troca de narrador bastante confusa, tal como o uso dos apelidos para se dirigir às personagens, o que devido à ligação familiar entre elas torna tudo muito semelhante e, mais uma vez, confuso.

Só no último terço é que comecei a interligar e a encaixar todas as peças e a distinguir personalidades e identidades. O cenário não é muito abrangente, mantendo-se sempre na área em volta do Monte dos Vendavais ou da casa dos Linton, mas não considero isso negativo, pois, Emily, com a sua linguagem erudita e eloquente, muito da sua época, descreve e desenvolve bem toda a acção em tão pouco espaço.

Apesar da complexidade das personagens, achei que não havia grande variedade e sim demasiado drama pois, no geral, 80% dos indivíduos ou são doidos, ou doentes, ou estão sempre a chorar.

Apesar de tudo, gostei do final, que, ainda que um pouco indirecto, é, felizmente, revelador.

O Monte dos Vendavais é uma das grandes obras-primas da literatura inglesa. Único romance escrito por Emily Brontë, é a narrativa poderosa e tragicamente bela da paixão de Heathcliff e Catherine Earnshaw, de um amor tempestuoso e quase demoníaco que acabará por afectar as vidas de todos aqueles que os rodeiam como uma maldição. Adoptado em criança pelo patriarca da família Earnshaw, o senhor do Monte dos Vendavais, Heathcliff é ostracizado por Hindley, o filho legítimo, e levado a acreditar que Catherine, a irmã dele, não corresponde à intensidade dos seus sentimentos. Abandona assim o Monte dos Vendavais para regressar anos mais tarde disposto a levar a cabo a mais tenebrosa vingança. Magistral na construção da trama narrativa, na singularidade e força das personagens, na grandeza poética da sua visão, nodoso e agreste como a raiz da urze que cobre as charnecas de Yorkshire, O Monte dos Vendavais reveste-se da intemporalidade inerente à grande literatura. 

Wuthering Heights



Título Original - Wuthering Heights
Edição - Outubro 2009
ISBN - 9789722342476 

4 comentários:

  1. Bastou-me ter de ver 2 versões do filme numa cadeira...e pensei logo que se o filme era muito estranho como não poderia deixar de ser o livro, por isso, tendo em conta a tua opinião, ainda bem que o fiz.

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    1. Eu não vi filme nenhum, mas quero ver um deles brevemente.

      Em relação ao livro, acho que apesar de tudo devias ler, principalmente por ser um clássico e ter muitas opiniões diferentes.

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  2. Sou das poucas, da nossa geração, que idolatra este livro, e os seus filmes, em especial a versão com Juliette Binoche e Ralph Fiennes... Sim, eles são doidos varridos, mas eu sofri e ri com eles; senti os desgostos e os amores; deixei-me embrenhar no mundo de Emily Bronte de uma forma tão emocional, que foi difícil desconectar-me do Monte dos Vendavais.

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  3. A sério que eu até gostava de ser uma fã dos clássicos da literatura, mas a verdade é que não me conseguem conquistar. A história de 'O Monte dos Vendavais' até é gira, mas da forma como foi escrita, para mim não resulta muito bem. Acaba por ser uma leitura um bocado maçuda. Mas sinto o mesmo em relação a Jane Austen e a Nathaniel Hawthorne. Definitivamente o meu problema será mesmo com a forma de escrever dos clássicos.

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